Cel Luis Haroldo
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Ela está olhando para você

A internet como conhecemos está passando pela sua terceira fase. Em breve, veremos exemplos inteligíveis de uma quarta fase. A fase da internet das coisas.
A primeira fase foi a fase da conectividade, dos web sites, do correio eletrônico e das pesquisas; A segunda fase veio com a Economia em rede, com o boom dos sites de E-commerce, cadeia de fornecimento digital e o início da colaboração; Estamos agora vivendo a plenitude da terceira fase, com a força das redes sociais promovendo a interação social, a mobilidade integrada no dia-a-dia, as interações multimídias, como Youtube, Netflix, Spotify, etc… que vamos resumir como a fase das “experiências colaborativas” na nuvem.
A quarta fase, que já estamos experienciando em algumas iniciativas de automação, é a fase da Internet das coisas. Nesta fase, pessoas, coisas, dados com processos bem definidos, irão dançar uma sinfonia que a CISCO chama de “dados em movimento”, onde a informação que importa para você é naquele momento.

O governo e as coisas

Na Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, já estamos estudando interações de Máquinas com Máquinas e Máquinas com Pessoas, como experiências que você pode encontrar no Twitter , e que muito em breve estarão twittando no momento que importa para você, com o uso de ferramentas de detecção de fluxo de veículos.

O aplicativo para android Firecast Comunidade também tem esta pretensão, onde o sistema de emergência lhe mantém informado do que está acontecendo em eventos de bombeiros na sua comunidade.
O dado do momento é o que importa!

E você, já cumprimentou a coisa do seu lado hoje? Não tenha dúvida ela já esta olhando pra você!


Palestra ‘Internet das Coisas’

Dia 12 de maio falarei sobre Internet das Coisas e o potencial para o setor público na WeGov. Mais informações e inscrições aqui.

André Tamura
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Vinicius Russo no TEDxUFRJ

Formado em Desenvolvimento de Software, Globalização e Cultura, Vinicius Russo lidera o Núcleo Digital, rede que realiza inovação política e já entregou tecnologias para o Banco Mundial e a Prefeitura de São Paulo. Em sua palestra ele vai levantar a reflexão sobre como é possível empreender no setor público.


Assista o TEDx

[youtube=https://youtu.be/co9nzC3WAXI&w=720&h=400]

Por André Tamura

Pai e Marido. Fundador e Diretor Executivo da WeGov. Empreendedor entusiasta da inovação no setor público e das transformações sociais. Estudou Administração de Empresas e Ciências Econômicas. Desde que trabalhou como operário de fábrica no Japão, tem evitado as “linhas de produção”, de produtos, de serviços e de pessoas. Em 2017, foi condecorado com a Medalha do Pacificador do Exército Brasileiro.

Lincon Shigaki
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A oficina, parte do Programa HubGov, aconteceu dias 30 e 31 de março

Nos dias 30 e 31 de março, a WeGov realizou a oficina Design de Processos (módulo I), sendo parte das atividades do Programa HubGov 2017.
O Módulo I da Oficina teve o objetivo de aprofundar a reflexão sobre os desafios das instituições participantes do Programa e apresentar técnicas para compreender e analisar os processos.
No primeiro dia, iluminamos ideias e buscamos despertar insights que os levassem a pensar nos serviços públicos a partir das necessidades humanizadas e individuais das pessoas envolvidas, sobretudo o cidadão.
Desta forma, realizamos uma explanação sobre os fundamentos da etnografia, onde destacamos a importância de explorar profundamente culturas (mesmo que diferentes ou exóticas). Com isso, apresentamos ferramentas para uma pesquisa etnográfica com o objetivo de compreender realidades locais.
O papel da etnografia para o governo é entender o seu propósito, frente à diversidade de demandas de uma população plural. Ao compreender o mundo e a forma com que povos se relacionam, podemos criar políticas públicas, serviços, produtos e processos considerando comportamentos e crenças da sociedade.
Realizamos também, uma dinâmica onde as 14 instituições colaboraram entre si, complementando visões e conhecimentos para aumentar o entendimento sobre os desafios das suas instituições.
Por fim, ministramos uma dinâmica de Mapeamento de Processos. Apresentamos técnicas para criar representação do processo que permitam posterior análise. Não obstante, as equipes desenharam o fluxo de atividades nas suas instituições, ampliando a visualização do desafio que se propõem a resolver.
Nos módulos seguintes da oficina Design de Processos trabalharemos a análise, ideação, co-criação e prototipação de novas soluções. Continue acompanhando a WeGov e fique por dentro do Programa HubGov.

Por Lincon Shigaki

Lincon é Facilitador de Aprendizado da WeGov. Formado em Administração na Universidade Federal de Santa Catarina. Trabalhou com consultoria em gestão no Movimento Empresa Júnior, onde foi Presidente da Ação Júnior e da Fejesc. Acredita que podemos viver em um país melhor, e não consegue se ver fora do processo de transformação dessa realidade.

WeGov
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Programa Interinstitucional de Inovação para o setor público

Realizamos a abertura do Programa HubGov no dia 21 de março, com mais de 100 convidados presentes.
No evento, foram apresentadas as instituições participantes do HubGov, os HubGovers, e os desafios que parte das instituições já selecionaram. Cada HubGover ganhou uma caixa de ferramentas para guardarem o que forem aprendendo durante o programa.
A abertura teve  uma palestra de Moacir Marafon, Diretor da Unidade de Gestão Pública da Softplan e patrocinador do programa, sobre tecnologias e o setor público, seguido de algumas palavras do Secretário de Comunicação, João Debiasi, que apresenteou um vídeo do Governador Raimundo Colombo sobre a importância de programas como esse para integrar os serviços do governo prestados aos cidadãos. O evento foi encerrado com um painel composto por alguns dos mentores do HubGov.

Painel: Tags da Inovação

#coworking #blockchain #crowdfunding
#laboratóriodeinovação #dadosabertos

Os HubGovers terão acesso a mentores de alto nível, e quatro deles estiveram presentes no painel ‘Tags da Inovação’, falando sobre temas que são tendência no mundo e precisam ser inseridos ao contexto governamental. Carla Giani, da Secretaria de Estado de Saúde de Santa Catarina, Paulo Sousa, do Exército Brasileiro, Anderson Giovani, membro da RAPS e Henrique Parra Parra, da Cidade Democrática, compartilharam suas visões sobre inovação em governo.

O que é o HubGov?


É um Programa interinstitucional de Inovação em Governo. Nesse programa, a WeGov irá auxiliar os participantes a propor soluções inovadoras para um desafio institucional através das trilhas de aprendizado e mentorias. Tudo isso em um ambiente colaborativo para inspirar as equipes na criação de protótipos e soluções inovadoras e acesso a uma comunidade para troca de experiência entre os participantes.
Cada instituição definiu um desafio para trabalhar de forma colaborativa durante o período de duração do HubGov.

Instituições Participantes do Programa

Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina;
Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina;
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos;
Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC);
Justiça Federal de 1º Grau em Santa Catarina;
Polícia Militar de Santa Catarina;
Prefeitura de Palhoça;
Secretaria de Estado da Administração de Santa Catarina;
Secretaria de Estado de Comunicação de Santa Catarina;
Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável de Santa Catarina;
Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina;
Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina;
Secretaria de Estado da Segurança Pública de Santa Catarina;
Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina.


Fotos do evento

Cerimônia de Abertura Programa HubGov

Fotos: Marina Bitten

Por WeGov

Somos um espaço de aprendizado para fazer acontecer a inovação no setor público.

WeGov
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Faça parte dessa comunidade de Social Media Govers

Em 2012 (quando a WeGov ainda não era WeGov), demos início a algo que tomou proporções que não podíamos imaginar na época. Um evento pioneiro, que reuniu comunicadores de instituições públicas do Brasil todo para falar de um tema ainda tabu na época – mídias sociais em governo.
O compartilhamento de experiências do setor público se intensificou, e criamos algo que extrapolou o encontro anual: uma comunidade Social Media Gov. Com erros e aprendizados, evoluímos com o tema e passamos a gerir uma comunidade da qual temos orgulho, e que cresce a cada ano.
Essa comunidade mantém contato e faz trocas valiosas durante o ano todo, em um grupo fechado no Facebook, e outro no Whatsapp, nos quais tiram dúvidas, mostram tendências, apresentam seus casos e recebem feedbacks (elogios e críticas, de uma forma franca em tempo real), e claro, falam sobre as agruras de ser um Social Media Gov.
Já surgiram trabalhos acadêmicos, oportunidades de emprego, e não são raros os depoimentos sobre como a comunidade traz benefícios àqueles que diariamente representam as instituições perante os cidadãos. Os participantes são de todas as esferas e poderes, de prefeituras que atendem a alguns milhares de cidadãos a entidades federais.

Exemplos do que rola por lá:

6º Redes-eGov

A comunidade se ajuda o tempo todo, o evento é apenas um momento para oxigenar as ideias, conhecer os “rostos por trás dos perfis”, e recarregar as energias que são consumidas loucamente na rotina de trabalho! Está confirmado: O Redes-eGov faz bem pra saúde!
Para fazer parte da comunidade, você precisa participar de um evento Redes-eGov ou de uma de nossas oficinas Social Media Gov. Os benefícios são incontáveis, tangíveis e intangíveis!
Estamos listados, pelo 3º ano seguido, entre os principais eventos de tecnologia do Brasil pela Eventbrite (nº10 na categoria Social Media), descritos como “evento único no Brasil”!

Mais informações

Confira a programação da 6ª edição aqui, e venha fazer parte dessa comunidade! O encontro deste ano acontecerá nos dias 27 e 28 de abril, em Florianópolis 😉

Por WeGov

Somos um espaço de aprendizado para fazer acontecer a inovação no setor público.

Gabriela Tamura
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Publicado no Diário Catarinense, dia 24 de janeiro de 2017

Enquanto cidadã preciso dos serviços públicos em diversas etapas da minha vida (desde o nascimento até a morte). Vejo o governo como uma grande corporação e sempre que preciso dos seus serviços devo pesquisar previamente para saber onde posso resolver meu problema.
Por diversas vezes perco alguns dias indo e vindo com meu problema debaixo do braço até encontrar a instituição que poderá me ajudar.
Da mesma forma que eu vejo o governo assim ele também me enxerga como diferentes pessoas. Um dia eu sou contribuinte, aluna, motorista, mãe, empresária e assim por diante, mas nunca uma única cidadã. Desta forma somos duas entidades fragmentadas e assim o serviço só poderia ser dividido.

Como prestar e receber um serviço exclusivo para a situação de vida em que vivemos com a estrutura que existe hoje em dia no governo? Como seria se não precisássemos ter que ir a diversos órgãos para abrir uma empresa ou se o nosso processo para construção de casa precisasse apenas de um alvará?

Os consultores da Assessoria de Inovação em Governo do Estado de São Paulo – iGovSP pensaram nestas hipóteses e foi assim que criaram o princípio que irá revolucionar os serviços públicos: Governo único para cidadão único.
Para Alvaro Gregorio (consultor do iGovSP) num governo único qualquer problema do governo é “problema nosso”, é problema do todo e, se o todo estiver conectado, a solução virá de uma forma mais barata e eficaz.
Para o governo do futuro imagino um único contato de atendimento ao cidadão, por momento de vida. Estou falando de resolver as situações da minha vida em um único atendimento, no mesmo local, físico ou digital. Isso envolve um sonho antigo dos brasileiros: documento único para se relacionar com o governo (poderei me livrar daquela pasta com carteira de trabalho, CNH, CPF, RG, título de eleitor e etc.).
Tecnologia para isso nós temos o que falta é fazer as instituições públicas entenderem-se como uma única coisa e assim nos verão como um único ser também.


Leia no DC

Por Gabriela Tamura

Fundadora e Diretora de Negócios da WeGov. Administradora Pública graduada pela Universidade do Estado de Santa Catarina, Pós-graduada em Gestão Pública pela Universidade Aberta do Brasil. Resiliente de plantão começou seu relacionamento com o setor público há 12 anos. Conhece bem a realidade do governo e resolveu ajudar.
Foi agraciada com a medalha do Exército Brasileiro em função dos serviços prestados à Nação pela WeGov.

Naiara Czarnobai
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Inovação no Poder Judiciário | Parte 1

A obra de Montesquieu, famoso pela teoria dos poderes, é fonte de inspiração para o Brasil. Temos bem definidas em nossa Constituição Federal a natureza e as funções de cada um dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
Embora a atuação desses três entes seja articulada e interrelacionada, ainda precisamos ter em mente que cada um cumpre um papel essencial para a consolidação do Estado Democrático de Direito.
Como operadora jurídica acredito que o Poder Judiciário possui ferramentas singulares para a aplicação das normas de maneira equânime e justa. No entanto, ainda percebemos julgadores descrentes de seu papel social, acomodados no Ctrl+C e Ctrl+V jurisprudencial.
O instituto criado para elencar posicionamentos dominantes têm se tornado um meio de poupar a atuação jurisdicional e auxiliar no cumprimento das metas de produção quase sempre avassaladoras.

A referência virou um objeto de pesquisa para facilitar o esvaziamento dos escaninhos, e por conta disso temos decisões cada vez mais vazias de conteúdo jurídico, e de escassa discussão das temáticas postas sob julgamento, com pouco ou inexistente senso crítico na análise dos pleitos.

Linha de produção jurídica

Assim, com a criação da jurisprudência temos resultados um pouco mais efetivos em termos de números, e isto apesar do acúmulo de milhões de processos no país aguardando decisão judicial, mas esta circunstância não se revela como verdadeira solução para evitar a reiteração da contenta, ou tampouco para satisfazer suficientemente os interesses em jogo.
A qualidade deu lugar à quantidade e perdemos em profundidade de raciocínio. Mesmo com a sistematização dos controles e fluxos de trabalhos, percebemos que a tecnologia tem se revelado pouco auxiliadora dos juízes. A retenção de despesas públicas também tem inviabilizado a ampliação do quadro de servidores que poderiam colaborar para a aceleração da produção jurídica. E, de encontro ao anseio por conhecimento, vemos que a doutrina tem se concentrado em lições práticas para concurseiros, um novo mercado absolutamente lucrativo.
Deste modo, a necessidade de obter conhecimento rápido e esquematizado, impede a evolução do pensamento, tornando os profissionais selecionados por concursos públicos cada vez mais incapazes de refletir sobre a importância da atuação jurisdicional.

Inovação no Judiciário

Portanto, precisamos incentivar a inovação do Poder Judiciário, não só com ferramentas tecnológicas e recursos simplificados mas, acima de tudo, com a contínua qualificação de seus atores, a fim de que os jurisdicionados recebam decisões que alcancem efetividade. Com a quantidade de informações disponíveis em rede, não podemos nos acomodar com o conteúdo de fácil alcance, mas, sim, exercitar, cada vez mais, o pensamento e a perspicácia, para que o real sentido das normas prevaleçam. Só assim viveremos a justiça idealizada pela Constituição Federal e que pode ser nossa realidade!
Foto: Claire Anderson

WeGov
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Governo escocês levando pesquisa aonde os usuários estão

Pop-ups são um método rápido e direto de pesquisa com usuário. Eles permitem com que levemos nossas questões a um número maior de usuários potenciais, nos levando aonde eles estão, ao invés de trazê-los ao laboratório. É menos formal do que o teste de usabilidade tradicional e é um jeito rápido de engajar com um número relativamente alto de pessoas.

Você pode usar a pesquisa pop-up para:

  • entender melhor as necessidades de grupos específicos
  • validar novos conceitos de serviços e proposições
  • identificar barreiras e dores para grupos específicos
  • alcançar pessoas no limite entre serviços digitais e serviços digitais assistidos
  • fazer pesquisa quando você tiver pouco tempo

Pop-ups são tipicamente conduzidos em bibliotecas, centros comunitários, shopping centers e cafés, ou podem ser conduzido em lugares em que agências governamentais e organizações oferecem serviços ou suporte.

3 dias, 3 bibliotecas e 31 pessoas

Nós decidimos por bibliotecas como ponto de partida. Fomos inicialmente à Biblioteca Leith como um piloto para testar nossas perguntas e resolver a logística, por exemplo, os aspectos práticos de como e onde nós nos colocaríamos. Nós então fomos à Biblioteca Central de Aberdeen e Biblioteca Galashiels, que também demonstra o valor de pop-ups por nos permitir expandir nossa cobertura para além do Centro.
Além de conseguirmos respostas para nossas perguntas, observar as pessoas interagindo no espaço nos deu insights adicionais. Pegar livros é logicamente a razão principal para se visitar uma biblioteca, mas acessar um computador e a internet também é uma atividade comum para as pessoas.
Nós fomos com três perguntas amplas para investigar Como as pessoas esperam interagir virtualmente com o governo? Essa questão apareceu em pesquisas prévias e precisava ser mais explorada. Voltar a esta perspectiva de alto nível pode ser renovador após focar nos detalhes de conteúdo e de interações.

Me fale sobre sua experiência online?

A primeira pergunta foi feita para capturar a experiência dos participantes com serviços online e seus níveis de confiança, o que mostrou uma resultados demográficos mistos e variados. Houve uma inclinação para a geração mais velha, embora a confiança online tenha sido surpreendentemente alta. No entanto, nós ainda falamos com muitas pessoas que tinham experiência online limitada (ou nenhuma).
Ainda, falando informalmente com os bibliotecários, descobrimos que seus clientes são geralmente de grupos socioeconômicos vulneráveis, o que faz com que peçam assistência com mais frequência ao acessar serviços governamentais.
Nós vimos tantas pessoas indo à biblioteca usar um computador e acessar a internet quanto vimos pessoas indo à biblioteca ler e pegar livros emprestados, o que mostrou a mudança na forma como as pessoas vêem bibliotecas. Bibliotecas se tornaram mais parecidas com cybercafés e em alguns casos não são apenas para livros.
Os bibliotecários com quem falamos nos disseram que muitas vezes tem que ajudar as pessoas a escanear, criar contas de e-mail, imprimir formulários, etc. Além disso, bibliotecas podem ser hubs comunitários e são muitas vezes simplesmente um lugar para contato social.

O que o termo ‘Serviço Público’ significa para você?

Nossa segunda pergunta foi sobre o que o termo “serviço público” significava para as pessoas, e nós demos continuidade pedindo exemplos de serviços públicos.
Os exemplos mais populares foram:

  1. Limpeza de ruas/coleta de lixo
  2. Bibliotecas*
  3. Ônibus / Transporte público
  4. Saúde
  5. Escolas / Educação
  6. Tribunais / Sistema judiciário
  7. Água / Esgoto
  8. Policia

*Potencialmente mais alto por estarmos em uma biblioteca


O foco era em serviços locais; as pessoas relacionaram serviços locais ao que eles sabem e ao que é relevante e tangível para eles – frequentemente serviços locais que proporcionados pelo conselho local. Em geral, as pessoas estavam corretas em seus exemplos.

O que o Governo Escocês proporciona?

Nossa terceira pergunta tinha a intenção de explorar as expectativas/percepções das pessoas sobre a diferença entre ‘governo’ e ‘serviços públicos’. As pessoas entrevistadas tiveram mais dificuldade em responder essa questão (12 de 31 tiveram dificuldade em encontrar uma definição).
Entre as que deram uma resposta, suas explicações foram categorizadas nesses temas:

    serviços, mas mais amplo em escopo
    proporciona as finanças
    tomador de decisões
    organização e infraestrutura

O que nós (como governo) descrevemos como partes do “governo” é muitas vezes confuso – os cidadãos frequentemente não sabem a diferença entre serviços locais e públicos e eles não deveriam precisar saber a diferença para conseguir o que precisam quando precisam.

Perguntas adicionais

Nós também coletamos reações rápidas ao mygov.scot (site do governo Escocês). A questão principal para nós foi que as pessoas disseram que o site “parece bom para quando eu precisar disso”.
Não é necessariamente sobre promover ou divulgar o site, mas ter certeza que usuários podem encontrar quando tiverem uma tarefa relevante que exija o uso do site. Nós fazemos isso entendendo os termos que os usuários pesquisam, o contexto em que eles estão fazendo, e as necessidades que tem.
Nós estaremos atentos a novas oportunidades para realizar pop-ups em 2017, muito provavelmente em aspectos específicos e focados do site mygov.scot, como itens de conteúdo curto ou pequenas alterações no design.
Texto traduzido e adaptado do Blog do Governo Escocês.
Foto Capa: Clem Onojeghuo

Por WeGov

Somos um espaço de aprendizado para fazer acontecer a inovação no setor público.

Gabriela Tamura
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Servidor Público Federal, atualmente na ENAP (GNOVA)

Dia 19 de janeiro, no lançamento do Programa HubGov, o servidor público federal, Fernando Kleiman, falou sobre o papel da WeGov e a importância da inovação para superar os desafios do governo.


Assista

[youtube=https://youtu.be/PZbujGrKoys&w=720&h=400]


HUBGOV2017

Por Gabriela Tamura

Fundadora e Diretora de Negócios da WeGov. Administradora Pública graduada pela Universidade do Estado de Santa Catarina, Pós-graduada em Gestão Pública pela Universidade Aberta do Brasil. Resiliente de plantão começou seu relacionamento com o setor público há 12 anos. Conhece bem a realidade do governo e resolveu ajudar.
Foi agraciada com a medalha do Exército Brasileiro em função dos serviços prestados à Nação pela WeGov.

Lincon Shigaki
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Um "plano cartesiano" para o setor público

Entre os Séculos V e XV a Europa Ocidental vivenciou a Idade Média, com o predominante modelo de sociedade feudal. Neste período, existia pouca criticidade sobre os assuntos debatidos, pois se aceitava os estigmas da época como uma ordem natural – na maioria das vezes divina – dada a grande influência da igreja. Eis que surge um personagem com grande contribuição para mudar o padrão de pensamento – René Descartes.
Por se preocupar que o conhecimento tratasse apenas da “verdade”, criticava a filosofia da época por se assemelhar à uma coletânea de opiniões. Descartes sugeriu um método para construção dessas “verdades” (método cartesiano) – onde as afirmações devem passar por uma comprovação lógica e com procedimentos empíricos.

O que significa o método para uma instituição pública?

A palavra método tem origem grega (Metha + Hodós), que na sua origem significa “o caminho para a meta”. O conceito é amplamente utilizado na área de gestão por incorporar um “ceticismo metodológico”.
Se as atividades são eficazes para alcançar os objetivos estabelecidos, a estratégia é validada com sucesso. Caso contrário, não há argumento que justifique a manutenção dessas atividades, sendo necessário uma revisão na estratégia e nova experimentação. Desta forma, atingir um novo resultado significa um aprendizado institucional de um plano que funciona na prática.
Nas diversas organizações ainda é comum suposições baseadas em “sempre foi feito assim”, “falaram que não dá pra fazer”.
A cultura organizacional protege algumas práticas, mesmo que racionalmente não façam mais sentido. Por isso, a ausência de método acaba tornando “bom senso e intuição” os norteadores do trabalho. O risco do bom senso é o aprisionamento do pensamento crítico, que assim como ocorreu na Idade Média, é capaz de asfixiar a capacidade de inovação.
Uma mudança significativa que devemos considerar é a natureza dos problemas. No bom senso é predominante que os problemas tenham a imagem de “incêndios” que precisam ser “apagados” até que tudo se estabilize.
Já com o método, existe um outro tipo de problema. Trata-se da ambição por resultados melhores, atingindo um novo patamar de entrega de serviços. Desta forma, a clareza de objetivos mobiliza a equipe para encontrar novos métodos de trabalho e superar esse “bom problema”.

4 passos para iniciar com o método da inovação em governo

1. Definir o problema
Falconi define “problema” sendo um resultado indesejado. Por isso, afirma que instituições genuinamente preocupadas em melhorar seus resultados devem ter muitos problemas. Desta perspectiva, assumir os problemas não significa fragilidade, mas sim, compromisso com a evolução da instituição. O primeiro passo para o método é justamente a definição dos problemas. A distância entre o atual patamar de serviço e o patamar almejado é o “tamanho do desafio”. A sua clareza frente a equipe é o ponto central para que o método funcione.
2. Formular hipóteses
Outra questão importante é a formulação das hipóteses. Trata-se de suposições que irão mensurar o sucesso do “experimento”. As hipóteses podem estabelecer como o cidadão ficará sabendo da nova funcionalidade do serviço público, se esse cidadão espalharia o novo benefício no seu círculo social, se terá dificuldades na experimentação, se a instituição terá capacidade de atendimento em caso de divulgação viral. No geral, as hipóteses são divididas em hipóteses de valor, que mensuram a experiência com o usuário final do serviço, e a hipótese de crescimento, que mensuram as possíveis implicações da expansão do serviço.
3. Lançar o protótipo
No artigo Lean Government, comento que sejam construídos protótipos para validação das hipóteses. Ou seja, a orientação para a construir um serviço são as hipóteses, e não a imagem do “produto final”. As hipóteses podem ser testadas com limitação de escalas para evitar desperdícios. Quando o serviço estiver pronto para ser distribuído de modo amplo, já terá estabelecido o perfil do beneficiário do serviço público, solucionado problemas reais, e oferecerá especificações detalhadas para o que precisa ser desenvolvido.
4. Aprender e ajustar
A partir da experimentação, realiza-se uma análise de validação das hipóteses. É o momento de certificar que essas melhorias possuem importância para o cidadão, ajustando o protótipo com os feedbacks.

Conduzindo transformações positivas a partir do método

Implementar o método requer disciplina e interesse em aprendizagem organizacional. Da mesma forma que uma experimentação científica busca validar uma teoria, a execução de planos é o mecanismo para validar uma estratégia da instituição.
A inovação ainda está muito associada à características individuais, como criatividade e liderança. Apesar de serem características importantes, se estiverem desconectadas de um método desperdiça-se talento na tentativa de fazer algo diferente, e não necessariamente relevante.
O Método Cartesiano inspirou uma das mais profundas transformações da humanidade – a Revolução Científica. A contribuição do método se dá principalmente na mudança de modelo mental, onde as convicções da época começaram a ser colocadas “à prova”. Com isso, abria-se espaço para novos questionamentos, invalidando ideias infundadas e construindo novas tecnologias para a evolução da vida em sociedade.
No setor público em geral, as instituições possuem planos estratégicos, que são como as convicções da Idade Média quando não colocadas à prova. O método se torna importante para atribuir esse “ceticismo metodológico”, instaurando uma nova dinâmica capaz de construir estratégias com criticidade, que se mostrem efetivas ao ser colocadas na prática.
A WeGov entende que a inovação já acontece nas instituições com o talento dos agentes públicos. Porém, destaca o potencial de ampliar a capacidade inovadora do setor público se as instituições tiverem um olhar “finalístico”, que dê uma visão clara de problema e instigue a criatividade para conceber, testar e aprender a experimentar.

Por Lincon Shigaki

Lincon é Facilitador de Aprendizado da WeGov. Formado em Administração na Universidade Federal de Santa Catarina. Trabalhou com consultoria em gestão no Movimento Empresa Júnior, onde foi Presidente da Ação Júnior e da Fejesc. Acredita que podemos viver em um país melhor, e não consegue se ver fora do processo de transformação dessa realidade.

André Tamura
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Secretário do Planejamento de Santa Catarina falou para WeGov

Dia 19 de janeiro, no lançamento do Programa HubGov, o Secretário de Estado do Planejamento, Murilo Flores, conversou com a WeGov sobre o futuro do governo, seus desafios e a importância da inovação.


Assista

[youtube=https://youtu.be/H0OncAzsVjk&w=720&h=400]


HUBGOV2017

Por André Tamura

Pai e Marido. Fundador e Diretor Executivo da WeGov. Empreendedor entusiasta da inovação no setor público e das transformações sociais. Estudou Administração de Empresas e Ciências Econômicas. Desde que trabalhou como operário de fábrica no Japão, tem evitado as “linhas de produção”, de produtos, de serviços e de pessoas. Em 2017, foi condecorado com a Medalha do Pacificador do Exército Brasileiro.

WeGov
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Inovação, Comunicação e Gestão

Frequentemente, pesquisamos, acessamos ou recebemos ótimos conteúdos de diversas pessoas. A nossa rede costuma solicitar para a WeGov, materiais mais detalhados do que um texto de blog ou matérias de sites de notícias.
Vamos utilizar esse espaço para guardar todo conteúdo útil que encontrarmos: pesquisas, estudos de caso, métodos, toolkits e cursos – sobre Inovação, Comunicação e Gestão – voltados ao setor público.
Deixe sua sugestão nos comentários.
O post será atualizado com as sugestões da rede.
Aprecie sem moderação. Colabore, compartilhe e aplique em sua instituição.


Inovação

1 Dá Pra Fazer – Gestão do Conhecimento e Inovação no Setor Público do iGovSP
2 Mapa com laboratórios de inovação no setor público, de diversos lugares do mundo, classificando o papel do governo em cada caso (fundador, cliente, parceiro…). Criado pela Parsons Desis Lab.
3 Mapa interativo da Nesta com instituições do setor público pelo mundo que estão usando a abordagem do design para ajudar a resolver desafios complexos.
4 Inovando para uma melhor gestão: A contribuição dos laboratórios de inovação pública. Relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento sobre os laboratórios de inovação no Setor Público, com estudos de caso do Uruguay e do Brasil. (em espanhol)
5 Service Design Impact Report: Public Sector – Inovação no setor público, estudos de caso de aplicação da metodologia de Design de Serviços,  engajamento de cidadãos, e o futuro dos serviços públicos. Por Netherlands Enterprise Agency
6 Guia produzido pela Nesta e pela IDEO sobre uso de Design Thinking no Setor Público, com estudos de caso e ferramentas.
7 Dicas para endereçar as principais dores na entrega de serviços públicos: Mensagem inconsistente; conectando-se com o usuário; processos complexos;  tecnologia ultrapassada; falta de  responsabilização (accountability); falha para fazer acompanhamento. Por GovLoop
8 Avaliando a inovação no setor público na Dinamarca.
9 Pesquisa da Nesta, sobre inovações pioneiras em Democracia Digital, com o Laboratório Hacker, da Câmara de Deputados, como um dos casos estudados.
10 Observatório do Setor Público da OCDE mostra as Habilidades-chave para fomentar e viabilizar a inovação no setor público.


Comunicação

1 Pew Internet – Informações sobre o aumento no uso do Facebook nos EUA e a adoção de outras mídias (em Inglês).
2 Tendências das Mídias Sociais para 2017 –  Ainda que tendências apenas apontem caminhos que podem mudar, vale sempre a pena estar antenado sobre o que o mercado enxerga como potencial. Aqui tem 10 previsões para 2017 que vão da diversificação de negócios das mídias sociais a chatbots. Por Kantar Ibope Media
3 El Gobernauta Latinoamericano – Estudo do Perfil dos Governantes Latinoamericanos nas Redes Sociais.


Gestão

1 Curso online de Gestão Pública e Gastos Abertos da ITS Rio. Realizado pelo ITS Rio em parceria com a Open Knowledge Brasil. Apoio da Gastos Abertos e da Escola de Dados. A equipe de professores apresentará oportunidades e ferramentas para monitoramento, análise e visualização de dados orçamentários.
2 Novos talentos da Gestão Pública –  Histórias de Brasileiros que estudaram fora do país, e voltaram trazendo novas abordagens para aplicar na administração pública. Por Fundação Estudar.
3 The Intersector Project Toolkit – Este Toolkit fornece conhecimento prático para profissionais de governos, empresas e ONGs. Para diagnosticar, projetar, implementar e avaliar colaborações intersetoriais.
Atualizado em 03/05/2017

Por WeGov

Somos um espaço de aprendizado para fazer acontecer a inovação no setor público.

Gabriela Tamura
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E o Painel "Governo do Futuro"

No dia 19 de janeiro de 2017 a WeGov pautou com diversas instituições a urgência da inovação em Governo.
Foram mais 20 instituições que marcaram presença, entre elas a Secretaria de Estado da Fazenda, Secretaria de Estado do Planejamento, Secretaria de Estado da Comunicação, Secretaria de Estado da Segurança Pública, Secretaria de Estado da Saúde, Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, Ministério Público de Santa Catarina, Assembleia Legislativa, Tribunal Regional Eleitoral, Fapesc e Epagri, além das prefeituras de Joinville e Jaraguá do Sul.

Dinâmica – Uma notícia para sua instituição


Realizamos uma breve dinâmica como introdução – distribuímos uma folha em formato de matéria de jornal para cada participante, onde eles puderam escrever a manchete que gostariam de ler em 2032 (daqui a 15 anos) envolvendo a sua instituição. No final deste post, destacamos algumas manchetes.

Lançamento do HubGov 2017

Para apoiar a inovação nas instituições públicas, a WeGov apresentou o Programa HubGov 2017 com o tema “Governo do Futuro”. O HubGov irá auxiliar os participantes a propor soluções inovadoras de um desafio institucional através das trilhas de aprendizado e mentorias. Tudo isso em um ambiente colaborativo para inspirar as equipes na criação de protótipos, soluções inovadoras e acesso a uma Comunidade para troca de experiência entre os participantes.
A adesão ao Programa HubGov deve ser feita até o dia 2 de março. As atividades iniciam no dia 7 de março de 2017.

Painel Governo do Futuro


Apresentamos um painel composto pelo mediador André Tamura, da WeGov, Fernando Kleiman da ENAP (representando o Laboratório de Inovação do Governo Federal – G*Nova) e Moacir Marafon, da Softplan.
O painel destacou as intensas transformações sociais e tecnologias, e sob tantas mudanças, cabe às instituições públicas se envolverem nessa nova dinâmica de inovação. Caso contrário, há um inexorável movimento de obsolescência dos serviços públicos e desgaste institucional.

Uma Notícia para a sua instituição

Os participantes fizeram um breve exercício de “criar um futuro”, descrevendo uma notícia que gostariam de ler sobre a sua instituição em 2032. As notícias escritas demonstram os anseios e expectativas de um Governo inovador, sob a ótica dos próprios agentes públicos:
Laboratórios de Inovação em Governo são extintos, uma vez que a cultura da inovação já é realidade prática em todas as esferas e poderes como espaço aberto de participação da sociedade .
Boas decisões do Governo são tomadas na base de conhecimento gerada por nossas cidades inteligentes .
SC apresenta para o Brasil um ecossistema de inovação constituído pelos setores da saúde, educação e segurança .
Cidades brasileiras consolidadas como Human & Smart Cities apresentam IDH comparável às melhores cidades do mundo .
Após consolidação da plataforma digital colaborativa de criação e manutenção de leis, o poder legislativo extingue o cargo de vereador. Todas as leis serão criadas, apreciadas e votadas pelos próprios cidadãos .


Programa HubGov 2017

Para saber mais, entre em contato com a WeGov.

Por Gabriela Tamura

Fundadora e Diretora de Negócios da WeGov. Administradora Pública graduada pela Universidade do Estado de Santa Catarina, Pós-graduada em Gestão Pública pela Universidade Aberta do Brasil. Resiliente de plantão começou seu relacionamento com o setor público há 12 anos. Conhece bem a realidade do governo e resolveu ajudar.
Foi agraciada com a medalha do Exército Brasileiro em função dos serviços prestados à Nação pela WeGov.

Lincon Shigaki
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O desafio do pensamento enxuto na gestão pública

Um fato histórico que chama a atenção é a capacidade do Japão ter se reerguido após ter sido inteiramente devastado após a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Um dos pontos mais importantes dessa superação foi o modelo gerencial utilizado para a alavancagem da economia industrial, conhecido como Produção Enxuta, ou Toyotismo na indústria automotiva.
O fluxo de produção industrial praticado até então, era produzir primeiro e vender quando já dispunham de grandes estoques. Porém, as indústrias japonesas com recursos limitados não podiam arcar com custos de estoques e excedentes de produção em um mercado economicamente frágil. Nesse sentido, a Produção Enxuta sugere que toda a cadeia de suprimento e sistemas de produção tenham a capacidade de se moldar para atender demandas específicas. Essa estrutura flexível faz com que “o que é produzido” e “como é produzido” acompanhe a demanda.
O tema Produção Enxuta passou por adaptações para diferentes contextos. Atualmente, Eric Ries apresenta no livro “A Startup Enxuta” um modelo de gestão que utiliza princípios do pensamento enxuto para Startups. O ponto central é que as startups devem construir seus modelos de negócios a partir de experiências reais bem sucedidas, considerando os erros que podem ser cometidos ao longo da jornada na tentativa de validar a proposta de valor de seus produtos e serviços.

Indústria, Startup e Governo

Assim como na Produção Enxuta, a manufatura se flexibiliza conforme as solicitações do mercado, uma startup deve ter todo o modelo de negócio ajustável às percepções e feedbacks dos clientes (percepções estas, que mudam em ritmo cada vez mais acelerado). Percebe-se que a Produção Enxuta ou a Startup Enxuta possuem suas estruturas flexíveis e suas atividades concentram-se em atender objetivos e solicitações de clientes reais, retirando da operação atividades não relacionadas ao que o seu público espera.
Por outro lado, o setor público possui uma estrutura mais rígida e, por vezes, falta flexibilidade para responder com mais agilidade aos feedbacks dos cidadãos, e pragmatismo para transformar a criatividade em soluções inovadoras. Nesse sentido, surge uma nova proposta – a aplicação do Pensamento Enxuto no Governo. Trata-se de uma tentativa de transformar o setor público em uma instituição catalisadora de ideias em soluções.
Mantendo a essência do Pensamento Enxuto, gestores públicos podem desenvolver novas soluções com uma dinâmica ágil e flexível a partir da interação, iteração e testes em pequena escala com o cidadão. O feedback gera aprendizados significativos para que programas sejam lançados com sua proposta de valor validada, o que permite investimentos públicos mais assertivos.

O Governo com Pensamento Enxuto: The Lean Government

Diferentemente do setor privado, o Governo não pode “segmentar mercado” e escolher ter uma expertise de negócio para uma população única específica. O governo representa toda a população e por isso precisa desenvolver programas para toda a sociedade. Justamente essa característica única torna a gestão pública especialmente complexa.
Na tentativa de atender toda a população que a esfera representa, o governo acaba assumindo grandes riscos para lançar programas com escalas gigantescas de uma vez. Por mais que seja uma ação bem intencionada é incrivelmente difícil criar serviços em grande escala, com indicadores de resultado efetivos, e experiência positiva para todos os envolvidos.
Uma vez lançados os serviços, o custo de adequação às necessidades é lento e custoso – é sempre “Um Maracanã” de tudo. Por outro lado, o Pensamento Enxuto propõe que somente a partir da constatação empírica de valor, em escala menor, para o cliente – no caso aqui, cidadão – se construam operações maiores.
Grandes volumes de recursos podem ser alocados desenvolvendo serviços e funcionalidades que não necessariamente são prioridades do cidadão ou deixando de atender expectativas importantes. Além disso, ao despender um longo período construindo um projeto com pouca agilidade, corre-se o risco das expectativas terem mudado entre o período de ideação até o lançamento.

Ciclo de Feedback (Construir – Medir – Aprender)

O Ciclo de Feebdack é um tema central do livro “A Startup Enxuta” e pode dar insights sobre como o Pensamento Enxuto pode ser aplicado no Setor Público.


Para manter a estrutura do governo flexível, é importante que ela se entenda como um “laboratório”. O resultado dos seus “experimentos” é o aprendizado sobre como desenvolver uma instituição sustentável. Por isso, a consolidação de programas precisa passar por ciclos estruturados de aprendizado.
O ciclo de feedback se inicia com uma ideia de oportunidade. Nesse momento só se tem uma hipótese, ou uma suposição de que o cidadão (ou o próprio governo, se for um projeto interno) precisa de algo. Também se levantam hipóteses sobre como o beneficiário irá perceber o novo serviço, quais são os entraves envolvidos na adesão, entre outras hipóteses que se julgar interessante mensurar. Com essa ideia, o “empreendedor público” deve construir um protótipo simples, com o único objetivo de testar as hipóteses e receber feedbacks quantitativos e qualitativos.
A partir da experimentação, comprova-se ou refuta-se as hipóteses, gerando o aprendizado para subsidiar a decisão de mudar a estratégia inicial ou perseverar em escalas maiores. O benefício dos marcos de aprendizagem é perceber, logo em fases iniciais, qual parte da ideia é brilhante e qual é absurda, na prática.

Mudando de direção rapidamente

A prática de se criar cargos, departamentos e procedimentos apenas “para inglês ver“, não são adequadas ao conceito de “lean Government”. Um Governo Enxuto não significa necessariamente um Estado menor, com menos servidores, recursos disponíveis ou serviços públicos. O termo “Enxuto” atribui um novo significado sobre o papel da “estrutura organizacional”. Neste modelo, a estrutura se molda conforme a jornada de descobertas empíricas sobre como resolver os problemas da instituição.
O Pensamento Enxuto é especialmente valorizado e aplicado em contextos de crise e incerteza. Ao incorporar esse modelo na sua instituição, o desafio é fazer o ciclo de feedback girar cada vez melhor e mais rápido. O volante não pode parar.
A WeGov entende que o desperdício no processo de inovação em governo pode ser evitado, desde que as causas dos desafios das instituições sejam compreendidas profundamente. Para descobrir como ir além do discurso e entender porquê inovar no governo, entre em contato com a gente.

Por Lincon Shigaki

Lincon é Facilitador de Aprendizado da WeGov. Formado em Administração na Universidade Federal de Santa Catarina. Trabalhou com consultoria em gestão no Movimento Empresa Júnior, onde foi Presidente da Ação Júnior e da Fejesc. Acredita que podemos viver em um país melhor, e não consegue se ver fora do processo de transformação dessa realidade.

E o que fazer para levá-la até lá

A inovação no setor público é uma pauta atual. Ela aparece cada vez mais nas agendas e nos programas das instituições. Isso é ótimo pois os problemas complexos que precisamos resolver, e que pulam em nossas timelines, normalmente estão relacionados com as competências das nossas instituições públicas. E a inovação no setor público é fundamental para solucioná-los.

Porém, existe uma camada do setor público, que parece completamente alheia a tudo que acontece no mundo, nenhuma inovação chega até lá. Essa “camada” – vou chamá-la de “umbral governamental (UG)”– é dominada por ações inexplicáveis. Vou explicar um pouco sobre esse umbral e mostrar como levar a inovação até lá.

O que é o Umbral Governamental

Recentemente o IPEA divulgou, em nota técnica, uma pesquisa em que os servidores públicos responderam sobre suas percepções com relação à burocracia dos processos internos, questões logísticas, de tecnologia da informação e comunicação, entre outros.

A nota aponta caminhos para sair do “UG” e iluminar o trabalhos dos servidores.

No “UG” os servidores e agentes públicos vivem uma realidade paralela, aprisionados num universo onde as coisas perderam o significado. O trabalho não faz mais sentido. As pessoas que estão no “UG” não sabem as respostas e pararam de fazer perguntas.

Com todos os avanços que a gestão pública vem conquistando, o “UG” mantém-se impenetrável. Não há inovação capaz de superar o modelo mental que impera no “UG”. Não existe confiança e colaboração entre as pessoas, o “sistema” é sempre o culpado por “ser” sempre desse jeito. “É assim, eu não posso fazer nada.” – é a frase mais dita no “UG”.

Como transformar o Umbral Governamental

É incrível e paradoxal para nós, que capacitamos servidores em inovação, termos que passar pelo “UG” em cada etapa do relacionamento com as instituições. Por exemplo, em uma das práticas do umbral, temos que enviar para os estagiários responsáveis, uma declaração reconhecida em cartório de que nós não empregamos menores na WeGov! Ficamos felizes de parecermos mais jovens do que somos, mas esse tipo de demanda tem um custo alto para todos.

As pessoas importam muito, e para sairmos do umbral, devemos prepará-las em suas competências humanas ao invés de dar-lhes um tipo de trabalho que um bom algoritmo pode fazer muito melhor.

Uma abordagem fundamental é a da motivação adequada das pessoas, não somente “acredite nos seus sonhos”, mas que possa entregar valor e significado para os servidores e que isso seja extrapolado em inovações no serviços ao público.

3 elementos para inovar no setor público e sair do umbral

Autonomia: O servidor que tem liberdade de escolha para tomar decisões consegue inovar mais. Com o acesso à informação que temos disponíveis hoje, boa parte dos documentos requeridos, comprovantes, certidões e declarações podem ser checados e validados com buscas rápidas na internet e redes sociais. A autonomia do servidor público gera economia de recursos e celeridade nos procedimentos – inovações sempre bem-vindas.

Excelência: A maioria dos servidores públicos, possuem a ânsia de melhorar o umbral, eles buscam se capacitar e sabem que tem potencial para fazer melhor. Capacitar-se nas competências certas é fundamental para transformar o umbral, é importante buscar a excelência e conectá-la a um propósito. Se seguirmos buscando uma “excelência em datilografia”, o umbral vai prevalecer.

Propósito: Aqui a linha entre vida profissional e pessoal fica tênue, quase transparente. Um propósito maior que o próprio umbigo pode ser determinante para a transformação do umbral, a vontade de executar o trabalho em nome de algo superior (não do superior). Esse propósito é o que faz o servidor levantar da cama e resistir, mesmo depois de várias pancadas na cabeça. Vale lembrar que propósito e prazer são coisas diferentes.

Conclusão

Não sabemos o caminho das pedras para levar a inovação para as instituições e tirar os seus servidores do “UG”. De uma coisa temos certeza, se as inovações não chegam até lá, temos que criar inovadores que possam trabalhar para sair.

Um servidor público com autonomia, que busque melhorar suas competências e tenha um propósito maior do que conforto e estabilidade, pode transformar o “UG”.

Por André Tamura

Pai e Marido. Fundador e Diretor Executivo da WeGov. Empreendedor entusiasta da inovação no setor público e das transformações sociais. Estudou Administração de Empresas e Ciências Econômicas. Desde que trabalhou como operário de fábrica no Japão, tem evitado as “linhas de produção”, de produtos, de serviços e de pessoas. Em 2017, foi condecorado com a Medalha do Pacificador do Exército Brasileiro.