Gabriela Tamura
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Embasamento legal: NR-1, Resolução CNJ 518/2023

Saúde mental dos servidores públicos importa!

Durante muito tempo, saúde mental no trabalho foi tratada como uma pauta de bem-estar, campanhas internas ou ações pontuais de qualidade de vida. Esse tempo passou. Com a atualização da NR-1, que passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, e com o fortalecimento da política do CNJ sobre prevenção e enfrentamento do assédio e da discriminação, o tema entrou definitivamente na agenda de gestão, governança, liderança e responsabilidade institucional.

Na prática, isso significa que órgãos públicos precisam olhar para fatores como sobrecarga, metas excessivas, conflitos interpessoais, ausência de suporte, assédio moral, assédio sexual, discriminação, insegurança psicológica e falhas de liderança não apenas como problemas individuais, mas como elementos que podem gerar adoecimento, afastamentos, judicialização e perda de capacidade institucional. O Ministério do Trabalho e Emprego tem definido os riscos psicossociais como fatores ligados à organização do trabalho e às relações interpessoais que podem contribuir para estresse, ansiedade, depressão e outros agravos à saúde mental.

O que a NR-1 muda nessa conversa

A NR-1 organiza a lógica do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Com a atualização, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho passaram a ser incluídos expressamente nessa gestão, ao lado de riscos físicos, químicos, biológicos, de acidentes e ergonômicos. Isso exige que as organizações identifiquem, avaliem, classifiquem, controlem e monitorem riscos também relacionados à forma como o trabalho é desenhado e gerido.

O ponto central é: não basta oferecer uma palestra sobre saúde mental em janeiro ou uma ação isolada de bem-estar. A instituição precisa demonstrar que conhece seus riscos, que possui medidas de prevenção e que revisa seus processos. A gestão de riscos psicossociais exige olhar para carga de trabalho, prioridades, comunicação, suporte das chefias, autonomia, conflitos, canais de escuta e retorno ao trabalho após afastamentos.

O que a Resolução CNJ 518/2023 reforça

No âmbito do Poder Judiciário, a Resolução CNJ 351/2020, alterada pela Resolução CNJ 518/2023, institui e fortalece a Política de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação. A resolução busca promover um ambiente de trabalho digno, saudável, seguro e sustentável.

A norma reforça aspectos fundamentais para qualquer instituição que deseja se preparar com seriedade: acolhimento qualificado, confidencialidade, separação entre acolhimento e apuração, avaliação de risco, proteção contra retaliações, formação das comissões e melhoria contínua dos ambientes de trabalho. A Resolução 518/2023 também inclui instrumentos como protocolo de acolhimento e formulário de avaliação de risco, aproximando o tema de uma lógica muito concreta de governança e gestão de riscos.

Embora a Resolução do CNJ tenha aplicação direta ao Judiciário, ela inspira uma reflexão mais ampla para todo o setor público: como as instituições podem prevenir violências, acolher com segurança, proteger pessoas, responsabilizar quando necessário e mudar os fatores organizacionais que adoecem equipes?

O que líderes públicos precisam fazer agora

A agenda não é apenas do RH, da saúde do servidor ou das corregedorias. Ela é, sobretudo, uma pauta de liderança.

Líderes públicos precisam aprender a reconhecer sinais de adoecimento, conduzir conversas difíceis, organizar prioridades com clareza, reduzir ambiguidades, encaminhar situações sensíveis corretamente e criar ambientes em que as pessoas consigam falar antes que o problema vire afastamento, denúncia ou ruptura.

Institucionalmente, isso significa avançar em algumas frentes:

1. Mapear riscos psicossociais
Entender onde estão os principais fatores de risco: sobrecarga, conflitos, assédio, baixa autonomia, pressão excessiva, falta de suporte, cultura de medo ou silêncio.

2. Criar protocolos claros
Ter fluxo de acolhimento, triagem, confidencialidade, critérios de urgência, encaminhamentos e medidas de proteção.

3. Capacitar lideranças e comissões
Não adianta ter norma sem gente preparada para aplicar. A liderança precisa saber acolher sem improvisar, encaminhar sem expor e agir sem revitimizar.

4. Produzir evidências de diligência
Registros adequados, treinamentos, indicadores, revisões de processos, ações preventivas e medidas de melhoria são elementos que demonstram maturidade institucional.

5. Transformar cuidado em governança
Saúde mental não pode depender apenas da boa vontade de pessoas específicas. Precisa estar incorporada à gestão, aos ritos, aos indicadores e à cultura institucional.

Por que o Happy Gov nasce agora

É nesse contexto que a WeGov realiza o 1º Happy Gov, nos dias 24 e 25 de setembro de 2026, em Florianópolis. O evento nasce para apoiar instituições públicas na construção de ambientes mais saudáveis, humanos e seguros, reunindo temas como prevenção, liderança, riscos psicossociais, assédio, governança, indicadores, cultura organizacional e bem-estar.

A programação foi desenhada para iluminar o tema por diferentes perspectivas. Entre os destaques estão: “Cuidar de Quem Serve: saúde mental como compromisso institucional”, com Jéssika Moreira, do Movimento Pessoas à Frente, Rudinei Marques, do Fonacate, e Silvia Luz, do Social Good Brasil; “Saúde mental/cerebral no contexto de liderança”, com o psicólogo Gustavo Loureiro Fialho; “Mindfulness: presença, equilíbrio e saúde mental no trabalho”, com Cecília Moreira; “Ciência e afeto: caminhos para a saúde no trabalho”, com Lívia Ramalho; e “Felicidades: Individual, Organizacional e Sistêmica”, com André Tamura.

No segundo dia, o evento aprofunda temas centrais para a maturidade institucional, com falas como “Assédio Moral e Saúde Mental no serviço público: uma conversa corajosa e direta ao ponto”, com Davi Cavalieri; “Programa institucional, indicadores, prevenção e impacto em absenteísmo”, com Fernanda Borges Keid, do TCE-SP; “Liderança consciente em tempos de alta complexidade e seu impacto para uma cultura organizacional saudável”, com Carolina Andrade; “Resoluções para felicidade no trabalho: como prevenir os riscos psicossociais nas pessoas que trabalham em instituições públicas”, com a Conselheira Noemia Porto, Conselheira do CNJ – coordenadora do Comitê Comitê de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação no Poder Judiciário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); e “Cuidar é Estratégia: como transformar Janeiro Branco em ação contínua no serviço público”, com Leonardo Abrahão, do Instituto Janeiro Branco.

O Happy Gov também terá uma Feira de Cases, convidando órgãos públicos a apresentarem práticas inspiradoras que já estão ajudando a construir ambientes mais saudáveis, seguros e preparados para esse novo momento. As inscrições da feira ficarão abertas até o dia 23 de julho. Se você já tem feito algo neste setor de saúde mental dentro do seu órgão inscreva-se na feira: aqui. Edital da feira aqui.

Uma nova frente da WeGov

A WeGov tem atuado há anos ajudando instituições públicas a elevarem sua maturidade em inovação, comunicação, liderança, gestão e cultura organizacional. Agora, abrimos uma nova frente: apoiar órgãos públicos a lidarem com saúde mental, riscos psicossociais e ambientes institucionais saudáveis com método, responsabilidade e linguagem prática.

O Happy Gov é o primeiro grande encontro dessa agenda. Em novembro, realizaremos também a Oficina BemGov, voltada à implementação prática: como estruturar fluxos, protocolos, indicadores, ações de liderança e planos de prevenção para que o tema saia da intenção e entre na rotina institucional.

Porque o desafio que está posto não é apenas “cuidar melhor das pessoas”. É construir instituições públicas mais preparadas, seguras, maduras e humanas.


1º HappyGov

24 e 24 de setembro, em Florianópolis. Inscreva-se

Por Gabriela Tamura

Fundadora e Diretora de Negócios da WeGov. Administradora Pública graduada pela Universidade do Estado de Santa Catarina, Pós-graduada em Gestão Pública pela Universidade Aberta do Brasil. Resiliente de plantão começou seu relacionamento com o setor público há 12 anos. Conhece bem a realidade do governo e resolveu ajudar.
Foi agraciada com a medalha do Exército Brasileiro em função dos serviços prestados à Nação pela WeGov.

Gabriela Tamura
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Pesquisa - Enquete sobre o uso de IA, realizada com profissionais da área de comunicação das três esferas e poderes.

IA na Comunicação Pública: o que a pesquisa da WeGov revela sobre uso, percepções e desafios

A WeGov tem uma longa tradição em mapear e compreender o universo da comunicação pública no Brasil, desde uma época em que a maioria das instituições sequer utilizava redes sociais. Ao longo dos anos, nossas pesquisas ajudaram a identificar resistências, oportunidades e boas práticas, contribuindo para a construção do que hoje é referência em comunicação pública inovadora e estratégica.

Em 2012, realizamos nossa primeira pesquisa sobre o uso de redes sociais por órgãos públicos. Na época, menos de 15% utilizava as redes como principal canal de comunicação com a sociedade — e esse dado ajudou a orientar os primeiros passos de quem queria (e precisava) ocupar esse espaço e também possibilitou uma série de outros aprofundamentos, inclusive acadêmicos.

Em 2025, atentos à tendência do uso de inteligência artificial por órgãos públicos, lançamos uma nova pesquisa – enquete para entender como profissionais do setor estão utilizando, percebendo e se preparando para a IA em suas rotinas de comunicação.

Para organizar o levantamento, estruturamos a pesquisa em sete blocos (clique para ir direto ao tema):

  1. Perfil do participante
  2. Uso atual da inteligência artificial
  3. Percepções e expectativas
  4. Competências e aprendizado
  5. Visão de futuro
  6. Atividades cotidianas (uso prático da IA)
  7. Barreiras e governança

1. Perfil do participante

Poder, esfera e região do Brasil

  • Poder: a maioria dos respondentes é do Executivo (30,91%). O Judiciário aparece em seguida (20%), depois o Controle (14,55%) e o Legislativo (12,73%). Além disso, 21,82% marcaram “Outros”, possivelmente ligados a ONGs e/ou iniciativa privada que se relaciona com o setor público.
  • Esfera: houve um número semelhante de respondentes das esferas federal e estadual (47,27% cada). Em contrapartida, as esferas municipal e “outras” tiveram presença reduzida (3,64% e 1,82%, respectivamente).
  • Região: predominância do Centro-Oeste (61,82%). As regiões Sul (18,18%) e Nordeste (12,73%) também tiveram participação relevante. Norte e Sudeste registraram 3,64% cada.

Cargo e tempo de experiência

  • Cargos: a maioria atua na área de comunicação, com destaque para Gestores de Comunicação (27,27%). Assessores e Analistas de Comunicação aparecem com 18,18% cada. Cargos como Relações Públicas, Produtores de Conteúdo e Designers tiveram baixa representatividade (alguns, como Designers e Fotógrafos, sem respostas).
  • Experiência: 63,64% dos respondentes têm mais de 10 anos de experiência em comunicação pública. Apenas 7,27% têm até 2 anos (ou entre 3 e 5 anos) de experiência.

2. Uso atual de inteligência artificial

Frequência de uso no trabalho de comunicação pública

A pesquisa mostra que 58,18% utilizam ferramentas de IA com frequência, enquanto 41,82% usam de forma ocasional. Não houve respondentes que declararam não usar IA, o que indica ampla aceitação e potencial de integração dessas tecnologias no setor.

Quanto da rotina já envolve IA

  • 47,27% usam IA entre 10% e 30% do trabalho (adoção moderada);
  • 18,18% usam em menos de 10%;
  • 18,18% usam entre 30% e 50%;
  • 16,36% usam em mais de 50% das atividades.

Principais áreas de aplicação

  • Redação e revisão de textos: 89,09%
  • Criação de imagens, áudios ou vídeos: 52,73%
  • Análise de dados e produção de relatórios: 45,45%
  • Planejamento e gestão de redes sociais: 27,27%
  • Monitoramento de mídia e gestão de crises: 18,18%

Ferramentas mais utilizadas

  • ChatGPT: 50,91%
  • Copilot: 18,18%
  • Gemini: 16,36%
  • Outras: 14,55%

Social Media Gov

A SocialMediaGov é uma Plataforma de Inteligência e Benchmarking que auxilia instituições públicas a criar, analisar e planejar seus conteúdos e estratégias de comunicação para as redes sociais. As análises utilizam inteligência artificial para qualificar e sugerir os melhores conteúdos para a sua instituição. Conheça a ferramenta aqui.


3. Percepções e expectativas

Benefícios percebidos da IA

O principal benefício percebido é o ganho de tempo e eficiência (98,18%). Os demais benefícios aparecem com percentuais menores:

  • Clareza e qualidade da comunicação: 30,91%
  • Personalização da mensagem: 25,45%
  • Base para decisões estratégicas: 25,45%
  • Apoio em situações de crise: 16,36%

Esse contraste sugere que, embora a eficiência seja reconhecida como valor central, ainda há espaço para demonstrar (na prática) como a IA pode apoiar qualidade, personalização e decisões mais estratégicas.

Quer se aprofundar? A WeGov também criou um curso sobre IA aplicada à comunicação pública. Se fizer sentido para sua instituição. Entre em contato para saber mais.

Desafios e riscos percebidos

  • Vieses ou informações incorretas: 81,82%
  • Questões éticas (deepfakes, falta de transparência): 58,18%
  • Falta de domínio técnico: 49,09%
  • Ausência de regulação clara: 49,09%
  • Resistência interna/cultural: 25,45%

Os dados apontam para a importância de programas de capacitação e diretrizes mais claras para reduzir riscos e aumentar confiança no uso responsável da tecnologia.


4. Competências e aprendizados

Nível de familiaridade com IA

  • Intermediário: 50,91% (já utilizam algumas ferramentas)
  • Iniciante: 36,36% (necessidade de treinamento é evidente)
  • Avançado: 12,73%

Tópicos de interesse para aprender mais

  • Relatórios e análise de dados: 76,36%
  • Criação de prompts e assistentes virtuais (GPTs): 69,09%
  • Ética, vieses e transparência: 16,36%

5. Visão de futuro

Impacto da IA na comunicação pública nos próximos 5 anos

  • 50,91% acreditam que a IA aumentará a eficiência, mantendo a essência do trabalho.
  • 43,64% consideram que a IA será transformadora, mudando radicalmente a forma de trabalhar.
  • 5,45% veem a IA como uma ferramenta adicional.
  • 0% acreditam que terá impacto irrelevante.

6. Atividades cotidianas

Onde a IA poderia ser mais útil

  • Produção de relatórios estratégicos a partir de dados: 67,27%
  • Redação e revisão de textos oficiais: 60%
  • Apoio ao storytelling e criação de campanhas: 58,18%
  • Atendimento ao cidadão: 52,73%
  • Monitoramento de mídia: 49,09%

Atividades como análise de sentimentos e engajamento do público, além de planejamento e gestão de conteúdo para redes sociais, também aparecem como úteis, porém com percentuais menores — indicando oportunidades de evolução e experimentação.

Resultados esperados com o uso de IA

  • Economizar tempo em tarefas repetitivas: 58,18%
  • Melhorar clareza e qualidade dos textos: 14,55%
  • Fornecer relatórios mais completos: 16,36%

Mais uma vez, eficiência aparece como prioridade, enquanto benefícios ligados à qualidade e aprofundamento analítico ainda são percebidos por uma parcela menor.


7. Barreiras e governança

O que dificulta o uso de IA hoje

  • Falta de treinamento/capacitação: 43,64%
  • Falta de tempo para aprender: 20%
  • Falta de apoio institucional (normas/cultura): 16,36%
  • Custos das ferramentas: 14,55%
  • Segurança/LGPD: 5,45%

Conclusão

Os dados revelam que o uso de ferramentas de inteligência artificial na comunicação pública está em ascensão: 58% utilizam com frequência e 42% de forma ocasional. A maioria acredita que a IA pode trazer benefícios relevantes, especialmente em eficiência e economia de tempo.

Ao mesmo tempo, desafios importantes não podem ser ignorados: vieses e informações incorretas (81%) e falta de domínio técnico (49%) aparecem como preocupações centrais. A percepção sobre o futuro tende a ser positiva (43% veem a IA como transformadora e 50% acreditam em aumento de eficiência sem perder a essência), mas a credibilidade da comunicação pública segue no centro do debate — sobretudo diante da possibilidade de erros em escala.

Em síntese, a integração da IA na comunicação pública abre oportunidades promissoras, mas exige capacitação, boas práticas, governança e uma abordagem cuidadosa para garantir confiança, transparência e qualidade.


15º Redes WeGov

A IA na comunicação pública também será debatida na programação do 15º Redes WeGov. Inscreva-se <3

Por Gabriela Tamura

Fundadora e Diretora de Negócios da WeGov. Administradora Pública graduada pela Universidade do Estado de Santa Catarina, Pós-graduada em Gestão Pública pela Universidade Aberta do Brasil. Resiliente de plantão começou seu relacionamento com o setor público há 12 anos. Conhece bem a realidade do governo e resolveu ajudar.
Foi agraciada com a medalha do Exército Brasileiro em função dos serviços prestados à Nação pela WeGov.