IA na Comunicação Pública – Pesquisa

Gabriela Tamura
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Pesquisa - Enquete sobre o uso de IA, realizada com profissionais da área de comunicação das três esferas e poderes.

IA na Comunicação Pública: o que a pesquisa da WeGov revela sobre uso, percepções e desafios

A WeGov tem uma longa tradição em mapear e compreender o universo da comunicação pública no Brasil, desde uma época em que a maioria das instituições sequer utilizava redes sociais. Ao longo dos anos, nossas pesquisas ajudaram a identificar resistências, oportunidades e boas práticas, contribuindo para a construção do que hoje é referência em comunicação pública inovadora e estratégica.

Em 2012, realizamos nossa primeira pesquisa sobre o uso de redes sociais por órgãos públicos. Na época, menos de 15% utilizava as redes como principal canal de comunicação com a sociedade — e esse dado ajudou a orientar os primeiros passos de quem queria (e precisava) ocupar esse espaço e também possibilitou uma série de outros aprofundamentos, inclusive acadêmicos.

Em 2025, atentos à tendência do uso de inteligência artificial por órgãos públicos, lançamos uma nova pesquisa – enquete para entender como profissionais do setor estão utilizando, percebendo e se preparando para a IA em suas rotinas de comunicação.

Para organizar o levantamento, estruturamos a pesquisa em sete blocos (clique para ir direto ao tema):

  1. Perfil do participante
  2. Uso atual da inteligência artificial
  3. Percepções e expectativas
  4. Competências e aprendizado
  5. Visão de futuro
  6. Atividades cotidianas (uso prático da IA)
  7. Barreiras e governança

1. Perfil do participante

Poder, esfera e região do Brasil

  • Poder: a maioria dos respondentes é do Executivo (30,91%). O Judiciário aparece em seguida (20%), depois o Controle (14,55%) e o Legislativo (12,73%). Além disso, 21,82% marcaram “Outros”, possivelmente ligados a ONGs e/ou iniciativa privada que se relaciona com o setor público.
  • Esfera: houve um número semelhante de respondentes das esferas federal e estadual (47,27% cada). Em contrapartida, as esferas municipal e “outras” tiveram presença reduzida (3,64% e 1,82%, respectivamente).
  • Região: predominância do Centro-Oeste (61,82%). As regiões Sul (18,18%) e Nordeste (12,73%) também tiveram participação relevante. Norte e Sudeste registraram 3,64% cada.

Cargo e tempo de experiência

  • Cargos: a maioria atua na área de comunicação, com destaque para Gestores de Comunicação (27,27%). Assessores e Analistas de Comunicação aparecem com 18,18% cada. Cargos como Relações Públicas, Produtores de Conteúdo e Designers tiveram baixa representatividade (alguns, como Designers e Fotógrafos, sem respostas).
  • Experiência: 63,64% dos respondentes têm mais de 10 anos de experiência em comunicação pública. Apenas 7,27% têm até 2 anos (ou entre 3 e 5 anos) de experiência.

2. Uso atual de inteligência artificial

Frequência de uso no trabalho de comunicação pública

A pesquisa mostra que 58,18% utilizam ferramentas de IA com frequência, enquanto 41,82% usam de forma ocasional. Não houve respondentes que declararam não usar IA, o que indica ampla aceitação e potencial de integração dessas tecnologias no setor.

Quanto da rotina já envolve IA

  • 47,27% usam IA entre 10% e 30% do trabalho (adoção moderada);
  • 18,18% usam em menos de 10%;
  • 18,18% usam entre 30% e 50%;
  • 16,36% usam em mais de 50% das atividades.

Principais áreas de aplicação

  • Redação e revisão de textos: 89,09%
  • Criação de imagens, áudios ou vídeos: 52,73%
  • Análise de dados e produção de relatórios: 45,45%
  • Planejamento e gestão de redes sociais: 27,27%
  • Monitoramento de mídia e gestão de crises: 18,18%

Ferramentas mais utilizadas

  • ChatGPT: 50,91%
  • Copilot: 18,18%
  • Gemini: 16,36%
  • Outras: 14,55%

Social Media Gov

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3. Percepções e expectativas

Benefícios percebidos da IA

O principal benefício percebido é o ganho de tempo e eficiência (98,18%). Os demais benefícios aparecem com percentuais menores:

  • Clareza e qualidade da comunicação: 30,91%
  • Personalização da mensagem: 25,45%
  • Base para decisões estratégicas: 25,45%
  • Apoio em situações de crise: 16,36%

Esse contraste sugere que, embora a eficiência seja reconhecida como valor central, ainda há espaço para demonstrar (na prática) como a IA pode apoiar qualidade, personalização e decisões mais estratégicas.

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Desafios e riscos percebidos

  • Vieses ou informações incorretas: 81,82%
  • Questões éticas (deepfakes, falta de transparência): 58,18%
  • Falta de domínio técnico: 49,09%
  • Ausência de regulação clara: 49,09%
  • Resistência interna/cultural: 25,45%

Os dados apontam para a importância de programas de capacitação e diretrizes mais claras para reduzir riscos e aumentar confiança no uso responsável da tecnologia.


4. Competências e aprendizados

Nível de familiaridade com IA

  • Intermediário: 50,91% (já utilizam algumas ferramentas)
  • Iniciante: 36,36% (necessidade de treinamento é evidente)
  • Avançado: 12,73%

Tópicos de interesse para aprender mais

  • Relatórios e análise de dados: 76,36%
  • Criação de prompts e assistentes virtuais (GPTs): 69,09%
  • Ética, vieses e transparência: 16,36%

5. Visão de futuro

Impacto da IA na comunicação pública nos próximos 5 anos

  • 50,91% acreditam que a IA aumentará a eficiência, mantendo a essência do trabalho.
  • 43,64% consideram que a IA será transformadora, mudando radicalmente a forma de trabalhar.
  • 5,45% veem a IA como uma ferramenta adicional.
  • 0% acreditam que terá impacto irrelevante.

6. Atividades cotidianas

Onde a IA poderia ser mais útil

  • Produção de relatórios estratégicos a partir de dados: 67,27%
  • Redação e revisão de textos oficiais: 60%
  • Apoio ao storytelling e criação de campanhas: 58,18%
  • Atendimento ao cidadão: 52,73%
  • Monitoramento de mídia: 49,09%

Atividades como análise de sentimentos e engajamento do público, além de planejamento e gestão de conteúdo para redes sociais, também aparecem como úteis, porém com percentuais menores — indicando oportunidades de evolução e experimentação.

Resultados esperados com o uso de IA

  • Economizar tempo em tarefas repetitivas: 58,18%
  • Melhorar clareza e qualidade dos textos: 14,55%
  • Fornecer relatórios mais completos: 16,36%

Mais uma vez, eficiência aparece como prioridade, enquanto benefícios ligados à qualidade e aprofundamento analítico ainda são percebidos por uma parcela menor.


7. Barreiras e governança

O que dificulta o uso de IA hoje

  • Falta de treinamento/capacitação: 43,64%
  • Falta de tempo para aprender: 20%
  • Falta de apoio institucional (normas/cultura): 16,36%
  • Custos das ferramentas: 14,55%
  • Segurança/LGPD: 5,45%

Conclusão

Os dados revelam que o uso de ferramentas de inteligência artificial na comunicação pública está em ascensão: 58% utilizam com frequência e 42% de forma ocasional. A maioria acredita que a IA pode trazer benefícios relevantes, especialmente em eficiência e economia de tempo.

Ao mesmo tempo, desafios importantes não podem ser ignorados: vieses e informações incorretas (81%) e falta de domínio técnico (49%) aparecem como preocupações centrais. A percepção sobre o futuro tende a ser positiva (43% veem a IA como transformadora e 50% acreditam em aumento de eficiência sem perder a essência), mas a credibilidade da comunicação pública segue no centro do debate — sobretudo diante da possibilidade de erros em escala.

Em síntese, a integração da IA na comunicação pública abre oportunidades promissoras, mas exige capacitação, boas práticas, governança e uma abordagem cuidadosa para garantir confiança, transparência e qualidade.


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Por Gabriela Tamura

Fundadora e Diretora de Negócios da WeGov. Administradora Pública graduada pela Universidade do Estado de Santa Catarina, Pós-graduada em Gestão Pública pela Universidade Aberta do Brasil. Resiliente de plantão começou seu relacionamento com o setor público há 12 anos. Conhece bem a realidade do governo e resolveu ajudar.
Foi agraciada com a medalha do Exército Brasileiro em função dos serviços prestados à Nação pela WeGov.

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